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Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã – Parte 2

Parêntese #328

Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã – Parte 2
Foto: Blondinrikard Fröberg / Flickr

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Foi também neste mesmo ano de 2021, durante uma visita ao monumental ‘‘Matenadaran’’ – o maior centro de armazenamento, estudo e divulgação de manuscritos armênios –, que fui convidado para uma exibição do trabalho de Antoin Sevruguin (1851–1933). De origem armênia e nascido em Teerã, Sevruguin é reconhecido como um dos raros fotógrafos que introduziram a fotografia artística à corte persa, na segunda metade do século XIX. É perceptível que ele colaborou de modo extensivo para eternizar em imagens o governo do Xá Naceradim Cajar, tanto que este lhe outorgaria o título de khan, um meritório e prestigioso reconhecimento que Antoin passaria a utilizar. Contudo, talvez o mais interessante de seu trabalho tenha sido sua busca em registrar os diferentes estratos da sociedade em que vivia: suas fotos permearam desde nobres a mendigos, religiosos muçulmanos a zoroastristas, curdos a armênios, dentre outros. Analisando estes aspectos é, portanto, condizente a frase final que li da placa que introduzia a exposição aos visitantes: ‘‘a vida e a obra do fotógrafo armênio [Sevruguin] são parte indissociável da história e da cultura da Pérsia, o que também atesta a contribuição dos armênios para a cultura iraniana’’.

Cruz entalhada em pedra, pertencente ao antigo templo assírio da vila de armênia de Arzni (hoje restaurado). Templo datado da época da migração fruto de Turcamanchai. Foto: Daniel Scandolara (2021)