Confira todos os textos da edição #328
- A invenção do futebol, por Sergio Faraco
- Nenhum futebol é neutro: o dia em que Maradona venceu a Inglaterra, por Marcelo Argenta Câmara
- A vida cotidiana nas Reduções, por Artur Barcelos
- Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã - Parte 2, por Daniel Scandolara
- O rock gaúcho - parte IX, por Arthur de Faria
- Você demitiria um amigo?, por Rafael L. Kasper
- O prazer da escuta, por Chris Cidade Dias
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 7, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu - Capítulo VIII, por Marlon Pires Ramos
- Um Noé de muitos nomes, por Luís Augusto Fischer
Foi também neste mesmo ano de 2021, durante uma visita ao monumental ‘‘Matenadaran’’ – o maior centro de armazenamento, estudo e divulgação de manuscritos armênios –, que fui convidado para uma exibição do trabalho de Antoin Sevruguin (1851–1933). De origem armênia e nascido em Teerã, Sevruguin é reconhecido como um dos raros fotógrafos que introduziram a fotografia artística à corte persa, na segunda metade do século XIX. É perceptível que ele colaborou de modo extensivo para eternizar em imagens o governo do Xá Naceradim Cajar, tanto que este lhe outorgaria o título de khan, um meritório e prestigioso reconhecimento que Antoin passaria a utilizar. Contudo, talvez o mais interessante de seu trabalho tenha sido sua busca em registrar os diferentes estratos da sociedade em que vivia: suas fotos permearam desde nobres a mendigos, religiosos muçulmanos a zoroastristas, curdos a armênios, dentre outros. Analisando estes aspectos é, portanto, condizente a frase final que li da placa que introduzia a exposição aos visitantes: ‘‘a vida e a obra do fotógrafo armênio [Sevruguin] são parte indissociável da história e da cultura da Pérsia, o que também atesta a contribuição dos armênios para a cultura iraniana’’.
