Confira todos os textos da edição #328
- A invenção do futebol, por Sergio Faraco
- Nenhum futebol é neutro: o dia em que Maradona venceu a Inglaterra, por Marcelo Argenta Câmara
- A vida cotidiana nas Reduções, por Artur Barcelos
- Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã - Parte 2, por Daniel Scandolara
- O rock gaúcho - parte IX, por Arthur de Faria
- Você demitiria um amigo?, por Rafael L. Kasper
- O prazer da escuta, por Chris Cidade Dias
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 7, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu - Capítulo VIII, por Marlon Pires Ramos
- Um Noé de muitos nomes, por Luís Augusto Fischer
“Que quede claro que somos jugadores de fútbol y venimos a jugar al fútbol. No hacemos política.”
A recente declaração do volante argentino Rodrigo de Paul contrasta com o já amplo consenso de que não é possível analisar o futebol sem as lentes da política. Coincidentemente, ela foi feita poucos meses antes do aniversário de 40 anos daquela que é, possivelmente, a mais emblemática partida de futebol da história, na qual a mais pura arte futebolística e as mais duras cicatrizes políticas se uniram num momento ao mesmo tempo único e eterno.
A partida entre Argentina e Inglaterra, realizada no dia 22 de junho de 1986 pelas quartas de final da Copa do Mundo do México, não era apenas o enfrentamento entre duas potências do esporte mais popular do mundo. Eram equipes que representavam dois países que, recentemente, haviam estado em guerra pela soberania das ilhas Malvinas. E, por mais que se quisesse, não havia como deixar esse componente fora do gramado.
Foi o acaso que fez com que o chaveamento do Mundial colocasse os dois países frente à frente nas fases de “mata-mata” daquele certame, em partida marcada para poucos dias após a recordação dos quatro anos do fim da guerra. Mas quis o destino que, naquele Mundial, a seleção argentina fosse capitaneada por aquele que, para muitos, foi o maior jogador da história do futebol: Diego Armando Maradona.