Confira todos os textos da edição #328
- A invenção do futebol, por Sergio Faraco
- Nenhum futebol é neutro: o dia em que Maradona venceu a Inglaterra, por Marcelo Argenta Câmara
- A vida cotidiana nas Reduções, por Artur Barcelos
- Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã - Parte 2, por Daniel Scandolara
- O rock gaúcho - parte IX, por Arthur de Faria
- Você demitiria um amigo?, por Rafael L. Kasper
- O prazer da escuta, por Chris Cidade Dias
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 7, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu - Capítulo VIII, por Marlon Pires Ramos
- Um Noé de muitos nomes, por Luís Augusto Fischer
Uma música antiga do Cartola diz que os moradores do morro da mangueira não sentem falta de nada, porque a lua, silenciosa, ouve as suas canções. Esse verso faz parte da canção Sala de recepção e me acompanha desde a infância.
Não tinha a dimensão absoluta dessa ideia até experimentar a ausência de escuta e perceber que a exceção é encontrar alguém capaz de nos ouvir. A maior parte das vezes falamos para ninguém. Isso fica claro nos grupos de WhatsApp onde cada um escreve sem ler a mensagem anterior e assim formamos uma onda de desencontros.
Nos mantemos ali, naquele grupo sem rosto, para pertencer apenas. Não para estar ou ser. Pertencer, ao lado da escuta, é o que queremos para ser gente. Está na nossa matriz. E vamos criando ambiente onde isso parece real, mas sabemos que não é. A Inteligência Artificial tem nos enganado um pouco — podemos conversar com ela, mesmo sabendo que sua existência é muito diferente da nossa.