Confira todos os textos da edição #346
- Parâmetros diversos, por Juremir Machado da Silva
- Contenção de enchentes: sugestão aos próximos governos, por Álvaro Magalhães
- A receita que falta à esquerda, por Alfredo Fedrizzi
- Meu prompt ideal, por Gustavo Borba
- Um tombo atrás do outro, por Albino Poli Júnior
- A pétala intrépida, por Sergius Gonzaga
- A Odisseia de Nolan (entre Homero e Jorge Luis Borges), por Juan Carlos Durán
- Cordel do Corte Raso – Capítulo 17 – Parte III, por Gonçalo Ferraz
- A dama da Duque – Capítulo VI, por José Roberto Iglesias
O que gosto no Adriano, em primeiro lugar, é da ousadia. Aprecio muito isso na literatura: o sujeito ser intrépido, ir contra a maré, sem seguir a tendência. Não que as tendências e as marés sejam necessariamente ruins, ao contrário, mas admiro o sujeito que tem a coragem de se aventurar, de correr
riscos. E há riscos. Toda poesia que traz inovação, toda arte que traz inovação é uma arte que contém em si o perigo do salto mortal. Há um risco na poesia, no qual até mesmo o poeta que tenho na cabeceira da minha cama — Drummond — eventualmente cai, de que os processos formais, os procedimentos técnicos e as
palavras acabem adquirindo certa gratuidade em face do sentido; ou seja, o sentido, o significado, rebaixa-se às vezes, e ficamos perguntando: essa poesia significa o quê? Temos de entender e procurar. E nem sempre encontramos a chave.