Confira todos os textos da edição #318
Nosotros, los cretinos de siempre, por Carlos Villalba
Entre a tela e a tribuna, o racismo segue sendo espetáculo, por Márcio Chagas e Thiana Orth
Histórias de Autógrafos: André Czarnobai em “O sensual adulto”, por Carlos Gerbase
O efeito dito natural, e inesquecível, por Fernando Seffner
Sobre as origens, por Evandro Machado Luciano
Um álbum duplo, por Arthur de Faria
Projeto Gema – Dez anos: Ato III, por Lucas Luz
Cony 100 anos – Uma coisa diferente, por Marina Ruivo
A medida das coisas humanas – Capítulo 8, por Helena Terra
Um tigre em Manoel Viana, por Marco de Menezes
Ode Fálica, de Walmir Ayala
O nome de Bonitinho, para mim, já era uma certeza para ser protagonista de Gema muito antes da ideia do projeto. Desde 2006, 2007 talvez. Lembro da primeira vez em que prestei atenção ao ouvir falar em Eco do Minuano & Bonitinho. Todo o final de semana, religiosamente, eu ia para as festas Brasil Suado na Cidade Baixa. Quando chegava em casa, adrenalizado, ligava a pequena tv de tubo que tinha em meu quarto para assistir algo até o sono chegar. Não recordo o programa, sei que era no SBT. O conteúdo, Rio Grande do Sul.
Eu já tava muito ligado em carimbó, guitarrada, afrobeat, samba-chula. Quando ouvi o grupo tocando a música Galpão do Nico, foi completamente disruptivo. Tinha alguma coisa ali, uma identidade e muitas paisagens coladas naquele suingue. Aquela guitarra, endêmica dos galpões dos CTGs, navegava pelo Atlântico Negro, ia pro Caribe, percorria diferentes mapas. Mas se assumia como legítima daqui, de nosso território. Deve ter sido por essa mesma época que o Isma me mandou um SMS, dizendo algo mais ou menos assim: “possível primo gaúcho da guitarrada, tu vai pirar”. De alguma forma a gente ficava procurando esses zeitgeists musicais. Nesse caso, ele falava em Antoninho Duarte. No teste cego, facilmente confundível com qualquer um dos mestres da guitarrada paraense.
De suas referências de guitarra gaúcha, Bonitinho é da mesma escola de Antoninho Duarte, Oscar Soares e Ubirajara Matana. Essas caras entendiam que o samba e o choro, por exemplo, faziam muito sentido dentro de uma perspectiva de uma música em construção, em processo de invenção. Assim como foi com os bateristas que incluíram a bateria na música regional gaúcha, que também buscavam nas claves do samba e da salsa, por exemplo, inspiração para criar uma rítmica percussiva gaúcha.