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A pétala intrépida

Parêntese #346 | Aventura e originalidade na poesia de Sobre a queda de uma pétala, semifinalista do Prêmio Oceanos

A pétala intrépida
Sobre a Queda de uma Pétala, de Adriano Wintter. Editora Lumina

Confira todos os textos da edição #346

O que gosto no Adriano, em primeiro lugar, é da ousadia. Aprecio muito isso na literatura: o sujeito ser intrépido, ir contra a maré, sem seguir a tendência. Não que as tendências e as marés sejam necessariamente ruins, ao contrário, mas admiro o sujeito que tem a coragem de se aventurar, de correr
riscos. E há riscos. Toda poesia que traz inovação, toda arte que traz inovação é uma arte que contém em si o perigo do salto mortal. Há um risco na poesia, no qual até mesmo o poeta que tenho na cabeceira da minha cama — Drummond — eventualmente cai, de que os processos formais, os procedimentos técnicos e as
palavras acabem adquirindo certa gratuidade em face do sentido; ou seja, o sentido, o significado, rebaixa-se às vezes, e ficamos perguntando: essa poesia significa o quê? Temos de entender e procurar. E nem sempre encontramos a chave.