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Prefeitura firma acordo para definir novo imóvel para Casa Mirabal

Negociação ocorreu após o Movimento Olga Benário, responsável pela Casa Mirabal, ocupar um imóvel no bairro Rio Branco no sábado (14)

Prefeitura firma acordo para definir novo imóvel para Casa Mirabal
Acordo determina que Casa Mirabal não seja despejada de prédio de antiga escola da Zona Norte enquanto novo local para atuação é determinado | Foto: Mariana Baptista Alves

A prefeitura de Porto Alegre assinou um acordo com o Movimento Olga Benário, responsável pela Casa Mirabal, depois de uma ação de ocupação da antiga Casa Violeta, no bairro Rio Branco, na madrugada de sábado (14).

A ocupação foi parte de uma ação nacional coordenada. “Ocupamos 17 imóveis em todo o país e um deles foi em Porto Alegre: a antiga casa abrigo Violeta, que está há mais de um ano abandonada”, conta Thainá Battesini, coordenadora da Casa Mirabal. A estrutura passou a servir como abrigo durante as enchentes que assolaram o estado, mas depois ficou abandonada.

Battesini afirma que a prefeitura só aceitou formar uma mesa de negociações com a Mirabal após a ocupação. A situação da Casa Mirabal, que atualmente ocupa uma antiga escola na Zona Norte da capital, está insegura desde que a justiça determinou a desocupação do imóvel. Como a Matinal noticiou, o prazo para entregar as chaves do local se encerrou há duas semanas, em 4 de março.

“A prefeitura se comprometeu a, durante 45 dias, não mexer no processo de despejo da Mirabal, e aceitou apresentar imóveis que eles têm disponíveis para que possamos realizar o trabalho de acolhimento”, explica Battesini.

Prefeitura de Porto Alegre se comprometeu a definir novo imóvel para Mirabal

O documento assinado por representantes da prefeitura determina a desocupação imediata do imóvel do Rio Branco, a antiga Casa Violeta, e define que o município suspenderá o processo judicial que visa a desocupação do imóvel na Zona Norte durante 45 dias. 

A Casa Violeta foi desocupada ainda no final de semana. Nesse período de 45 dias, a prefeitura deve promover tratativas para firmar um Termo de Permissão de Uso (TPU) para que a Mirabal siga desenvolvendo o trabalho de acolhimento às mulheres. 

A Mirabal fica responsável por protocolar o TPU, que deve seguir requisitos formais e atender à legislação. A prefeitura apresentará possibilidades de imóveis para o movimento de mulheres. Se houver consenso quanto ao novo local, o município se compromete a firmar o TPU. 

A gestão ainda prometeu prestar assessoramento para que a Mirabal organize a documentação e elabore o plano de trabalho para a permissão de uso. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMIDH) fica definida como órgão interlocutor para as tratativas. 

Durante esses 45 dias, serão realizadas reuniões semanais para encaminhar o processo. Segundo Thainá Battesini, os imóveis disponíveis devem ser apresentados já na reunião desta segunda (16). 

Em nota oficial divulgada nas redes sociais, o Movimento de Mulheres Olga Benário considerou a decisão uma vitória. “Essa conquista é um importante reconhecimento de tudo o que construímos na Mirabal: um espaço de acolhimento, dignidade e luta para mulheres em situação de violência e vulnerabilidade. Como diz a nossa coordenação, "nossa luta nunca foi apenas por um prédio, mas pelo direito à vida, à dignidade e pela construção do socialismo”, afirma a organização.

Valentina Bressan

Repórter investigativa na Matinal. Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Já publicou nas revistas Veja Saúde, Viagem & Turismo e Superinteressante. Contato: valentina@matinal.org

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