O “Flamengo” é grande demais para conviver com atitudes pequenas. E o presidente “Luiz Eduardo Baptista” deixou isso claro ao se referir à jornalista “Renata Mendonça”, da “Rede Globo”, como “aquela nariguda”. Não é deslize, é misoginia explícita. E não cabe relativizar.
O cargo exige postura. Quando o presidente de um clube do tamanho do Flamengo escolhe o ataque pessoal, especialmente contra uma mulher, ele rebaixa a instituição que representa. Não se trata de crítica jornalística ou discordância, trata-se de desqualificação pelo gênero, algo que não se vê quando o alvo é um dirigente homem ou um jornalista homem.
O histórico reforça o problema. Baptista demonstra dificuldade recorrente em lidar com a liderança feminina de “Leila Pereira”, presidente do “Palmeiras”. A agressividade verbal aparece ali também, sempre com um tom que não se repete diante de homens. O padrão é evidente.
Renata Mendonça tem trajetória sólida, com cobertura consistente do futebol feminino. Suas críticas à estrutura oferecida pelo Flamengo às jogadoras do time profissional foram técnicas e fundamentadas. A resposta do presidente não foi argumento, foi ofensa. Quem não suporta crítica não pode comandar uma instituição pública, com milhões de torcedores e enorme responsabilidade social.
Há ainda um contexto que não pode ser ignorado. O incêndio do “Ninho do Urubu” segue vivo na memória do país e, sobretudo, das famílias que perderam seus filhos. O Flamengo ainda deve explicações, sensibilidade e respeito. Arrogância e ataques pessoais vão na direção oposta.
O Flamengo é maior do que isso. Precisa de liderança que entenda o peso do cargo, que respeite mulheres, jornalistas e adversários. Misoginia não é opinião, é desvio. E, quando parte do presidente, vira problema institucional.