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O rock gaúcho – Parte XI

Parêntese #330

O rock gaúcho – Parte XI

Confira todos os textos da edição #330

O segredo do Bixo era simples: ao invés do rock tropicalista e superelaborado que faziam no Liverpool, um rock’n’roll mais stoniano, com eventuais voos progressivos no clima das bandas inglesas da época, como o Yes. Em comum em ambas as bandas, um suingue muito acima da média do “rock brasileiro”. Incendiado pela guitarra de Mimi, cozinhado por Marcos e Edinho e com um espetacular performer à frente: Fughetti, sabendo cada vez melhor aproveitar a imagem de fauno que os longos cabelos e a barba considerável já lhe davam, pulando ensandecido pelo palco.

Mas mudaram não só na música. Também, e muito, nos temas das suas letras.

Mimi:

Na real, no Liverpool, nós éramos adolescentes suburbanos, classe média, brancos, com aquela coisa de escola-futebol-música... Nós tínhamos tudo pra ter um comprometimento com os principais temas sociais, direitos... mas a gente nem pensava nisso. A gente só queria curtir o timbre da guitarra, aquele som da Gretsch do George Harrison... Mas, mesmo assim, a gente tinha uma identificação com o “mau comportamento” entre aspas. O nosso repertório, quando a gente começou a tocar nas reuniões dançantes, era The Birds, por exemplo. Que veio do movimento folk. E, fazendo um parêntese, o folk era um movimento organizado, auxiliar do partido comunista nos anos 1950 lá nos Estados Unidos. (...) A gente tocava Stones também. (...) Não entendia muito as letras, mas o movimento anti-bom-mocismo já nos atraía. A gente sempre teve um pouco de rebeldia.

(...)

Ainda assim, o Liverpool cantava o amor. Já o Bixo da Seda não. A gente já tinha mais noção das pessoas ricas, das pessoas pobres, de quem roubava, quem não roubava, a ditadura castigando, censura... a gente ficou mais de olhos abertos. Tinha uma noção da vida, contra o conservadorismo. O Fughetti sempre teve isso, sempre foi muito rebelde. (...) O Fughetti tinha um temperamento incrível.