Confira todos os textos da edição #327
- Milton Santos: a permanência dos conceitos, por Mario Lahorgue e Victor Hugo Oliveira
- O rock gaúcho - parte VIII, por Arthur de Faria
- Muito antes de Trump – a trama milenar entre Armênia e Irã, por Daniel Scandolara
- De Antigo Tape à Banda Oriental do Rio Uruguai, por Artur Barcelos
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 6, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu – Capítulo VII, por Marlon Pires Ramos
- Porto Alegre, 1913 – A inauguração da Confeitaria Rocco, por Arnoldo Doberstein
- Tudo é falso, tudo é verdadeiro: resenha do novo filme de Jim Jarmush, por Guto Leite
- Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo: “Segurança pública precisa ser tratada como política de Estado”, por Luís Augusto Fischer
O Avesso da Pele
“Me encontra no João de Barro às 19h.”
Uma frase. Simples assim. Só recebi essa frase da Natália. Olhei no celular no intervalo do almoço. Nada mais. Respondi com um tudo bem. Estarei lá.
O dia passou e eu não tirei essa frase da cabeça. 18:30h meu coração já batia forte no peito, meu corpo estava na livraria, mas minha cabeça já estava lá na República. Acho que dava para notar meu nervosismo, faltando uns 15 minutos, o Alfredo e a Camila, já de pronto: Pode ir lá, tá louco pra ir mesmo… Depois de rir eu expliquei o motivo. Saí correndo dando tchau e agradecendo.
Caminhando pela José Bonifácio o coração batia mais forte. Escuro, muito escuro. Um breu. Medo e aflição. Caminhava quase correndo, passava pelas pessoas, na troca de olhares, notava o medo da parte deles, e eles notavam minha indiferença. Pressas para chegar na João Pessoa. Atravessar a avenida, e depois seguir até a República.