Confira todos os textos da edição #327
- Milton Santos: a permanência dos conceitos, por Mario Lahorgue e Victor Hugo Oliveira
- O rock gaúcho - parte VIII, por Arthur de Faria
- Muito antes de Trump – a trama milenar entre Armênia e Irã, por Daniel Scandolara
- De Antigo Tape à Banda Oriental do Rio Uruguai, por Artur Barcelos
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 6, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu – Capítulo VII, por Marlon Pires Ramos
- Porto Alegre, 1913 – A inauguração da Confeitaria Rocco, por Arnoldo Doberstein
- Tudo é falso, tudo é verdadeiro: resenha do novo filme de Jim Jarmush, por Guto Leite
- Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo: “Segurança pública precisa ser tratada como política de Estado”, por Luís Augusto Fischer
Em 1913, justo no 20 de setembro da Revolução Farroupilha, o italiano Nicolau Rocco (San Martino in Pensiles, Itália,1858 - P. Alegre,1932), inaugurava sua Confeitaria. Por décadas, um lugar de excelência para o entretenimento do dia a dia, bailes de carnaval, casamentos, aniversários, chás beneficentes, recepções diplomáticas, e até encontros sócio-político-partidários com banquetes de posses governamentais. Para além de seu dinamismo e operosidade, já exaustivamente exaltados, o que mais colaborou para que este italiano talentoso que aprendeu seu ofício em B. Aires, entre 1884-1895, de uma modesta confeitaria, aberta entre 1899-1900 no mesmo local (Riachuelo, esquina Dr. Flores), amealhasse capital e prestígio para erguer seu palacete de tanta suntuosidade?
Em primeiríssimo lugar há que se ter em conta que na Porto Alegre da sua época rolava muito dinheiro. Sua população passara, aproximadamente, de 52.000 (1890), para 96.000 (1910) alcançando 173.000 em 1920. Via caminhos de ferro e navegação fluvial, a produção colonial escoava para a capital mais rapidamente, e daqui para a Europa, sequiosa de proteína e gordura animal para a guerra em preparação. Da Europa vinham os maquinários e motores elétricos, aumentando a produtividade industrial e a extração da mais-valia de seu mercado de trabalho, bastante ampliado com a imigração.
Neste quadro de prosperidade, quem podia desejava mais e mais desfrutar a vida e adocicar o bico. Para aquela minoria mais viajada e cosmopolita, dispor ao alcance de uma pernada de um espaço de sociabilidade que ombreava com a Colombo do Rio de Janeiro, Las Violetas, de Buenos Aires, ou a La Mère de Famille, de Paris, era a glória.