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Ferreiros de Potengi e a cidade que não dorme

Parêntese #326

Ferreiros de Potengi e a cidade que não dorme
Foto: Daisson Flach

No Cariri cearense, ao pé da Chapada do Araripe, há uma cidade que não dorme. O retinir de ferro sobre ferro perfura a noite sertaneja no maquinismo inconstante e orgânico de um estranho relógio que marca o tempo como uma respiração.

Foto: Daisson Flach

Na madrugada sertaneja, a sinfonia das forjas afugenta os agouros.  A cidade se sabe guardada pela Égide forjada pelos Ciclopes da terra mítica de Suassuna. Os ferreiros de Potengi fazem soprar os velhos foles que avivam o sol íntimo e vermelho da forja.   O calor do carvão em brasa amolece o ferro que, em mãos hábeis e vigorosas, ganhará forma e têmpera. Sincronizadas duplas alternam golpes precisos de marretas e martelos, moldando o metal incandescente que as tenazes sustentam sobre maciças bigornas. Pequenas estrelas se espalham a cada estridente impacto. Constelações surgem e se apagam no breu das oficinas.