Confira todos os textos da edição #329
- Porto Alegre, 1915 – A morte de Pinheiro Machado, por Arnoldo Doberstein
- Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã – parte 3, por Daniel Scandolara
- A arte negra na Bienal de Veneza ou o tapete de minha avó, por Samantha Buglione
- O Rock Gaúcho – Parte X, por Arthur de Faria
- Ubiracir Fernandes: “A cannabis deixou de ser um tema alternativo ou experimental", por Luís Augusto Fischer
- Cássio Dalpiaz: “Para cada um dos 365 dias, uma instrução de voo”, por Luís Augusto Fischer
- O que aprendi com Leonardo, por Alfredo Fedrizzi
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 8, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu - Capítulo IX, por Marlon Pires Ramos
- Os Guarani e o Pampa, por Artur H. Franco Barcelos
- Quatro palavras sobre Pedro Ortaça, por Demétrio Xavier
Deus manda palavras bonitas pra gente dizer
Ao terminar de ler a carta, a sensação de parar no tempo. Um silêncio que ecoava dentro. No relógio, umas duas da manhã. No peito, uma aglutinação de sentimentos que faziam a visão embaçar as letras do papel.
Eu digo Bom Dia!
Ele diz vamos tomar café?
Respondo: sim, quero café né!
Rimos.
Mais uma vez ouço: eu só quero tomar café!
O lençol nos cobre como toalha de mesa
Não damos sinal que vamos sair dali
Eu nunca deixo de tomar esse café
O barulho da avenida é conto
Os passarinhos não cantam
Nos beijamos, rosto colado como amora por cima da torta
Igual da Casa de Pelotas.
Ninguém se atreve a saltar da cama-mesa
Parece Rainha das Noivas
Seus olhos castanhos, sua boca afável
Mordo essas maçãs do rosto
Seu sorriso a xícara mais bonita
Seu cheiro é afeto, papo reto
Seu abraço é como Melita extra-forte
E lá se vai 40 minutos do ponteiro
Ele não sabe, mas eu já estou tomando café.
Você é o café que eu preciso pela manhã!
Natália.