Confira todos os textos da edição #329
- Porto Alegre, 1915 – A morte de Pinheiro Machado, por Arnoldo Doberstein
- Muito antes de Trump: a trama milenar entre Armênia e Irã – parte 3, por Daniel Scandolara
- A arte negra na Bienal de Veneza ou o tapete de minha avó, por Samantha Buglione
- O Rock Gaúcho – Parte X, por Arthur de Faria
- Ubiracir Fernandes: “A cannabis deixou de ser um tema alternativo ou experimental", por Luís Augusto Fischer
- Cássio Dalpiaz: “Para cada um dos 365 dias, uma instrução de voo”, por Luís Augusto Fischer
- O que aprendi com Leonardo, por Alfredo Fedrizzi
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 8, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu - Capítulo IX, por Marlon Pires Ramos
- Os Guarani e o Pampa, por Artur H. Franco Barcelos
- Quatro palavras sobre Pedro Ortaça, por Demétrio Xavier
Naquela tarde de 8 de setembro de 1915, os acompanhantes de Pinheiro Machado ao Hotel dos Estrangeiros, no RJ (Fig. 1 – esquerda), assistiram estupefatos ao padeiro Francisco Manço de Paiva (Fig. 1 – direita), um dos tantos “antipinheiristas” turbinados por uma enxurrada de ataques, principalmente da imprensa do centro do país, apunhalar o “quero-quero dos pampas”, como pejorativamente o chamavam, para contrapô-lo ao seu opositor Rui Barbosa, a “Águia de Haia”. O próprio Manço se confessou motivado por um artigo da Gazeta de Notícias que acusava Pinheiro de “braços longos e mandachuva da República”, e de matérias que o responsabilizavam “pela morte de um estudante em Porto Alegre que protestava contra a decisão dele, Machado, de eleger Hermes da Fonseca para o Senado” (GIUDICE, Cláudia. “Pinheiro Machado: o chefão secreto da República Velha”. In: Jornal eletrônico AH Aventuras da História, 26.7.2019).
Noves fora sua personalidade, trajetória, atributos, contatos e capacidade de negociar, Pinheiro talvez possa ser lembrado como um operador da política que fez do Congresso (Senado e Câmara), uma instância não apenas legislativa, mas também de disputa com o Executivo pelos recursos e tomadas de decisões. A chave dessa operacionalidade era o controle da Comissão de Verificação dos Poderes, pela qual Pinheiro decidia quais os diplomados estaduais a serem reconhecidos como tal. Quer dizer, um Congresso majoritariamente favorável aos interesses de outros Estados que não São Paulo-Minas.