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Presidente do TCE permite publicação de edital de PPP das escolas estaduais

Convocação estava suspensa por cautelar emitida de dezembro de 2024

Presidente do TCE permite publicação de edital de PPP das escolas estaduais
Iradir Pietroski, presidente do Tribunal de Contas do Estado, votou por suspensão de cautelar | Foto: Sessão do TCE/Youtube

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Iradir Pietroski, liberou a publicação do edital da parceria público-privada (PPP) de reforma e manutenção de 99 escolas estaduais do Rio Grande do Sul. 

A decisão de Pietroski suspende uma medida cautelar de dezembro de 2024, de autoria do conselheiro Estilac Xavier, que impedia a publicação do edital até que fossem resolvidos diversos problemas apontados no projeto. 

A questão foi ao Tribunal Pleno no dia 21 de janeiro, e o voto de Pietroski foi apoiado pelos conselheiros Alexandre Postal, Edson Brum e Marco Peixoto. Os conselheiros Estilac Xavier e Renato Azeredo pediram vistas, e o conselheiro Cezar Miola não votou.

A cautelar assinada por Estilac Xavier foi mantida em votação feita em julho, para avaliar um recurso proposto pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), e novamente em novembro do ano passado. Desta vez, um novo pedido de suspensão da cautelar, feito pela PGE, foi acatado por Pietroski.

Agora, a Secretaria de Educação (Seduc) fica liberada para publicar o edital que vai selecionar uma ou mais empresa(s) para ficar responsável por reformas, ampliações, manutenção e prestação de serviços não pedagógicos em 99 escolas estaduais gaúchas, distribuídas em 15 municípios. O investimento dos cofres públicos ultrapassa os R$ 4 bilhões, ao longo dos 25 anos.

Para Iradir Pietroski, a maior parte dos pontos levantados pela equipe de auditoria do TCE foi devidamente atendida ou resolvida pela equipe do governo Eduardo Leite.

“Entendo ser essencial a continuidade de fiscalização do respectivo projeto da execução desses serviços não pedagógicos, como de limpeza e manutenção de 99 escolas estaduais, pois, data vênia, a cautelar vigente, neste momento, está impedindo a possibilidade de grandes investimentos na área da educação, a qual é um dever de ordem pública, que deve ser garantido pelo Estado”, afirmou em voto. 

Em 2024, Xavier havia apontado, dentre outros problemas, uma inadequação na seleção das 99 escolas a serem contempladas pela PPP. Segundo o conselheiro, apesar de o governo justificar a escolha com critérios do programa RS Seguro, indicadores educacionais ficavam de fora do desenho da PPP. 

A Matinal mostrou, no ano passado, como a PPP ignorava critérios de evasão escolar e distorção idade-série na construção da lista de escolas contempladas. Em 13 de janeiro, um parecer do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Ângelo Borghetti, indicou que o governo atendeu a estes critérios e se disse favorável ao prosseguimento do processo. Borghetti, no entanto, solicitou a retirada ou substituição do Colégio Tiradentes da Brigada Militar da lista, pois apesar de ficar em uma sub-região de violência conforme o RS Seguro, reúne alunos de diversas áreas da cidade, gerando uma distorção.

Solicitamos à Secretaria da Reconstrução Gaúcha informações quanto a modificações na lista de escolas contempladas. Segundo a pasta, o projeto está em fase de revisão final. “A íntegra do seu conteúdo será publicada no lançamento do edital. Ainda sem data confirmada”, afirmou a secretaria em nota.

Valentina Bressan

Repórter investigativa na Matinal. Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Já publicou nas revistas Veja Saúde, Viagem & Turismo e Superinteressante. Contato: valentina@matinal.org

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