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Milton Santos: a permanência dos conceitos

Parêntese #327

Milton Santos: a permanência dos conceitos
Foto: Acervo de Milton Santos / Reprodução

Se o(a) leitor(a) está acompanhando a série de textos sobre o centenário do geógrafo Milton Santos, talvez tenha percebido que sempre aparece, além dos elogios de praxe (merecidos), referências de como as ideias do autor continuam importantes reflexões para a compreensão de realidades contemporâneas, inclusive com exemplos de como é possível entender questões atuais com os conceitos e análises propostos há 30, 40 ou 50 anos atrás.

E é exatamente isso que chamamos aqui de permanência dos conceitos. E este é o melhor sintoma para entender por que um intelectual continua exercendo influência e sendo lido como referência fundamental. Um intelectual e suas ideias permanecem quando sua interpretação oferece uma chave para compreensão de fenômenos do presente. Na verdade, é quase a definição clássica de paradigma, como formulada por Thomas Kuhn há mais de 60 anos (em A estrutura das revoluções científicas): os textos e vários dos conceitos de Milton Santos definem implicitamente os problemas e métodos legítimos da pesquisa em questões espaciais e territoriais, porque ao mesmo tempo são inovações sem precedentes e suficientemente abertas para deixar toda espécie de aspectos que necessitam de mais estudos ser desenvolvida pelos pesquisadores atuais.

E assim, continuamos estudando, tentando compreender o espaço contemporâneo e nos debruçando sobre explicações para os problemas do presente.