Confira todos os textos da edição #327
- Milton Santos: a permanência dos conceitos, por Mario Lahorgue e Victor Hugo Oliveira
- O rock gaúcho - parte VIII, por Arthur de Faria
- Muito antes de Trump – a trama milenar entre Armênia e Irã, por Daniel Scandolara
- De Antigo Tape à Banda Oriental do Rio Uruguai, por Artur Barcelos
- Cordel do Corte Raso - Capítulo 6, por Gonçalo Ferraz
- Entre o mundo e eu – Capítulo VII, por Marlon Pires Ramos
- Porto Alegre, 1913 – A inauguração da Confeitaria Rocco, por Arnoldo Doberstein
- Tudo é falso, tudo é verdadeiro: resenha do novo filme de Jim Jarmush, por Guto Leite
- Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo: “Segurança pública precisa ser tratada como política de Estado”, por Luís Augusto Fischer
Se o(a) leitor(a) está acompanhando a série de textos sobre o centenário do geógrafo Milton Santos, talvez tenha percebido que sempre aparece, além dos elogios de praxe (merecidos), referências de como as ideias do autor continuam importantes reflexões para a compreensão de realidades contemporâneas, inclusive com exemplos de como é possível entender questões atuais com os conceitos e análises propostos há 30, 40 ou 50 anos atrás.
E é exatamente isso que chamamos aqui de permanência dos conceitos. E este é o melhor sintoma para entender por que um intelectual continua exercendo influência e sendo lido como referência fundamental. Um intelectual e suas ideias permanecem quando sua interpretação oferece uma chave para compreensão de fenômenos do presente. Na verdade, é quase a definição clássica de paradigma, como formulada por Thomas Kuhn há mais de 60 anos (em A estrutura das revoluções científicas): os textos e vários dos conceitos de Milton Santos definem implicitamente os problemas e métodos legítimos da pesquisa em questões espaciais e territoriais, porque ao mesmo tempo são inovações sem precedentes e suficientemente abertas para deixar toda espécie de aspectos que necessitam de mais estudos ser desenvolvida pelos pesquisadores atuais.
E assim, continuamos estudando, tentando compreender o espaço contemporâneo e nos debruçando sobre explicações para os problemas do presente.