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Porto Alegre, 1915 – A morte de Pinheiro Machado

Parêntese #3.29

Porto Alegre, 1915 – A morte de Pinheiro Machado
Fig. 4 – Helios Seelinger, sem data. A Pátria Desolada pranteia Pinheiro Machado. Óleo sobre tela. Coleção Particular.

Naquela tarde de 8 de setembro de 1915, os acompanhantes de Pinheiro Machado ao Hotel dos Estrangeiros, no RJ (Fig. 1 – esquerda), assistiram estupefatos ao padeiro Francisco Manço de Paiva (Fig. 1 – direita), um dos tantos “antipinheiristas” turbinados por uma enxurrada de ataques, principalmente da imprensa do centro do país, apunhalar o “quero-quero dos pampas”, como pejorativamente o chamavam, para contrapô-lo ao seu opositor Rui Barbosa, a “Águia de Haia”. O próprio Manço se confessou motivado por um artigo da Gazeta de Notícias que acusava Pinheiro de “braços longos e mandachuva da República”, e de matérias que o responsabilizavam “pela morte de um estudante em Porto Alegre que protestava contra a decisão dele, Machado, de eleger Hermes da Fonseca para o Senado” (GIUDICE, Cláudia. “Pinheiro Machado: o chefão secreto da República Velha”. In: Jornal eletrônico AH Aventuras da História, 26.7.2019).

Noves fora sua personalidade, trajetória, atributos, contatos e capacidade de negociar, Pinheiro talvez possa ser lembrado como um operador da política que fez do Congresso (Senado e Câmara), uma instância não apenas legislativa, mas também de disputa com o Executivo pelos recursos e tomadas de decisões. A chave dessa operacionalidade era o controle da Comissão de Verificação dos Poderes, pela qual Pinheiro decidia quais os diplomados estaduais a serem reconhecidos como tal. Quer dizer, um Congresso majoritariamente favorável aos interesses de outros Estados que não São Paulo-Minas.