Confira todos os textos da edição #323
- A demora do livro, a demora do idioma, por Augusto Darde
- O rock gaúcho – Parte V, por Arthur de Faria
- Um encontro fugaz entre o ser e o estar, por Horacio Dottori
- O que ainda precisamos ensinar, por Kétina Timboni
- Da criatividade ao cuidado: aprendizados de uma vida em movimento, por Marilice Costi
- Sobre o livro “Mundo Impossível”, de Mayara Floss, por Olga Garcia Falceto
- Marina Lima em Ópera Grunkie, por Luciano Mello
- Entre o mundo e eu – Capítulo III, por Marlon Pires Ramos
- Cordel do Corte Raso – Capítulo III, por Gonçalo Ferraz
- Porto Alegre, 1912-14: Os pinta-monos da revista Kodak, por Arnoldo Doberstein
Às vezes, a vida nos traz desafios que não pedimos. É na forma como os enfrentamos que acumulamos experiência e encontramos sentido. O que vivi me fez quem sou: um ser incompleto, em permanente construção, com dúvidas permanentes, erros e acertos. O que não muda é o desejo de acertar. E isso todos os pais e as mães desejam.
Foi a criatividade que abriu caminhos para eu me comunicar com meu filho atípico. Com ela, cuidei da família e aprendi a celebrar o essencial: entre dificuldades e barreiras vencidas, cada pequena conquista era comemorada.
Problemas existem em todas as famílias. Meu aprendizado no cuidado vem dos meus pais. Depois foi com profissionais, professores, terapeutas e médicos, apoio de amigos e muita leitura. Foi como enfrentei problemas como se eu subisse e descesse montanhas todo o tempo. Não há soluções mágicas e carregar culpas só prejudica. Os pais dão o que possuem, fazem o que conseguem, são o que são com aquilo que a vida fez com eles.
Desde o século passado, o lado dos familiares é o que mais me toca. Não acredito que um filho esteja bem se os pais não são cuidados. Digo “pais”, porque conheço muitos homens que não abandonam – são muito poucos entre as mulheres que cuidam. Isto é fato.