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Entre o mundo e eu – Capítulo III

Parêntese #3...

Um estranho na aldeia

Polícia algema e detém homem negro vítima de facada em Porto Alegre

Um homem negro foi algemado e detido neste sábado pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul após, segundo testemunhas, ser vítima de uma facada de um homem branco em Porto Alegre. 

De acordo com relatos, o homem negro, um motoboy de 40 anos, foi esfaqueado próximo ao pescoço por um homem de 72 anos quando estava sentado em frente a um restaurante, no bairro Rio Branco.

Janela de ônibus. Eta lugarzinho que coloca a gente pra pensar. 

A notícia fervilhava minha cabeça. Nem o Viamão lotado, nem a música do Mos Def nos fones, nem o verde das árvores da Av. Bento Gonçalves aliviavam, tudo era aquele misto de sentimentos com a notícia. Angústia, raiva, desespero. Sinto um eterno estado de conflito com a vida, com o amor, com a existência. 

Amanhã pode nunca chegar/ Para você ou para mim/ A vida não é garantida

Eu não sou um homem perfeito/ Estou tentando fazer o melhor que posso/ com o que eu tenho

Os comentários no post dessa notícia só aumentavam minha angústia, minha raiva, meu desespero. Até lembrei das vezes que caminhei por aquelas ruas do bairro Rio Branco. Distinguir entre claustrofobia e racismo, entre o dia ruim de alguém e a intolerância. Toda vez que eu ia ao Zaffari da Fernandes Vieira era um mal-estar, um incômodo, uma sensação de claustrofobia sem paredes, toda pessoa negra em situação de rua pedindo algum dinheiro, leite, bolacha, alguma coisa para seu sustento, todas elas estavam em mim.