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Sussuarana – Capítulo I

Parêntese #331

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2016

No que aquela água morna empapa minha meia-calça, fico sóbria de novo.

Não me importava a luz branca do banheiro, a condensação nas paredes, nem os espelhos embaçados. Mas aquela poça, o contraste com a lajota fria, o cheiro de mijo velho vindo de todos os lados, tudo se espalhando devagarinho entre a minha pele e as fibras de nylon, aí era demais. Eu devia era enfiar a cabeça da Cecília naquela privada. Em vez disso, apoio suas costas na divisória da cabine e termino de sentá-la entre o porta papel higiênico e a lata de lixo, rezando para que escorregue mais para lá do que para cá caso perca o equilíbrio de novo.

Me levanto, fecho a tampa do vaso, e dou descarga, ainda meio desacostumada com a rapidez com que o cômodo parou de girar ao meu redor. Recolho a bolsinha de camurça atirada em meio à pirâmide de papel higiênico amassado e penduro no gancho atrás da porta. A tia Ângela vai matar ela quando ela chegar em casa. Visto a minha melhor cara de quem sabe o que está fazendo e me agacho até ficar da sua altura.