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Porto Alegre, 1912-14: Os pinta-monos da revista Kodak

Parêntese #323

Porto Alegre, 1912-14: Os pinta-monos da revista Kodak
Fig. 3 - Esquerda. Orzolino Martins, Nero, 1913. Marechal Hermes, Benemérito. In: Kodak, ano. I, n. 33, 31.05.1913, capa. Centro: Orzolino Martins, Nero, 1913. Pinheiro Machado e a tentação do golpe. In: Kodak, ano I, n. 31, 17.05.1913, capa. Direita: Orzolino Martins, Nero, 1913. Castello Branco, defenestrado. In: Kodak, ano I, n. 32, 24.05.1913, capa. Composição arquivos Arnoldo Doberstein, com fotos tiradas do acervo de Miguel do Espírito Santo, confrade do IHGRGS. Porto Alegre, RS. 

No início do século XX, parcela dos porto-alegrenses aspirava se atualizar com o mundanismo satírico das revistas de variedades, como no Rio de Janeiro. Era uma espécie de modernidade enviesada, porque por aqui não eram poucos os que cultivavam a formação campesina do RS, suspiravam pelo passadismo “virtuoso e puro” dos tempos da monarquia, ou não tinham nem como pagar por tal tipo de publicação.  

Foi neste contexto que, em setembro de 1912, surgiu em Porto Alegre a revista Kodak, precedida de outras que não se sustentaram. Tinha como base editorial reportagens fotográficas que cobriam desde encontros políticos, sociais e religiosos, manobras militares, acidentes, sinistros até, com a devida ênfase, escândalos e controvérsias de toda a ordem. O tempero da sátira, da crítica e da observação maliciosa, que a fotografia nem sempre conseguia alcançar, ficava por conta dos cronistas do cotidiano e da sociedade e, principalmente, dos artistas gráficos, que se apresentavam como seus pinta-monos.

Os principais pinta-monos da revista Kodak – Representações

Giuseppe Gaudenzi, o Giga, talvez tenha sido o mais bem estabelecido dos pinta-monos da Kodak (ver Parênteses 14.03.2026). Entre setembro de 1912 e junho de1913, ilustrou diversas capas da revista, oscilando no tratamento conforme a distância dos fatos. A nível nacional esculachava o presidente Hermes da Fonseca, borrifava os superpoderes de Pinheiro Machado, e denunciava a ganância dos sindicatos norte-americanos na partilha do Acre (Fig. 1 – esquerda). A nível estadual aliviava bem direitinho. Quase solenizando, por exemplo, a reeleição de Borges (Fig. 1 – centro), ou as ações pró-educação do deputado federal João Simplício (Fig. 2 – direita). Nas páginas internas, satirizou a falsidade das aparências (Fig. 2 – esquerda), e capitalizou com o momentoso caso do resgate da menina Leonor, raptada pelo agitador sindical Carlos Cavaco (Fig. 2 – direita).